©Reitmaier 2006Aquando a aterragem na capital de Cabo Verde, avistei da janela do avião a cidade da Praia e apenas conseguia visualizar um aglomerado de blocos. A construção das casas não estava terminada e isso dava-lhes uma característica sombria. Não consegui visualizar nenhum tipo de vegetação, apenas aquela cor terra e um remoinho de pó que fazia prever o forte vento que se sentia.
Quando aterrei, senti uma vaporada de ar quente invadir-me todos os poros da minha pele, um ar rarefeito, um cheiro intenso que não conseguia identificar. Muitas pessoas olhavam para dentro do aeroporto. Um olhar muito curioso, muito atento, como se procurassem preencher o vazio que os revoluteava.
Cheguei a S. Vicente, contemplava a água cristalina daquele mar interminável, simplesmente excelsa, a água colorida de azul-turquesa que pintava Mindelo. As pessoas passeavam calmamente e examinavam-me com um olhar que me perturbava, gostava de passar despercebida e aqui parecia um pedido inalcançável. Tudo parecia dimanar de uma veemência própria, admirava tudo à minha volta, cheiros novos que gotejavam lentamente, olhares que atravessavam a minha curiosidade, sons que abraçavam o ar quente que se fazia sentir, palavras sem um compasso certo, carregadas de uma melancolia que me invadia.
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